O que é inflação?

O dragão como símbolo da inflação foi uma imagem comum nas décadas de 80 e 90 no Brasil. Representa um animal incontrolável que amedronta a população e destrói tudo, principalmente o seu dinheiro.

O dragão como símbolo da inflação foi uma imagem comum nas décadas de 80 e 90 no Brasil. Representa um animal incontrolável que amedronta a população e destrói tudo, principalmente o seu dinheiro.

Provavelmente você já percebeu que os preços no Brasil costumam subir de forma relevante ao longo do tempo. É muito comum que, com uma mesma quantidade de dinheiro, você compre cada vez menos coisas, ou seja, seu dinheiro perde valor.

Com mais força ou mais timidez, o fato é que o "dragão da inflação" sempre esteve presente no cotidiano do brasileiro. Mas o que é a inflação? Qual o impacto em nossa vida?

A inflação se caracteriza pelo aumento persistente e generalizado dos preços dos bens e serviços.

No sentido literal, a inflação costuma inflar ou inchar os preços para o consumidor prejudicando seu bolso. Com o aumento dos preços, ocorre uma acentuada redução do poder de compra das pessoas e empresas, prejudicando a economia.

Com isso, uma determinada quantidade de dinheiro - por exemplo seu salário - você não consegue mais comprar o que comprava-se há algum tempo.


Como assim, perco meu poder de compra?!

O Poder de compra é a capacidade de adquirir bens e serviços (alimentos, mensalidade escola, cinema, etc) com uma certa quantidade de dinheiro. Vamos a um exemplo prático:

Vocês devem se lembrar que era rara a circulação de cédulas de R$ 100 há alguns anos atrás, porém hoje é fácil encontrar em circulação.
Desde a criação do plano real, ou seja, 21 anos atrás, uma nota de R$ 100 perdeu 80,1% de seu valor por causa da inflação, ou seja, o poder de compra de uma nota de R$ 100 hoje é de R$ 19,90.
O que significa que hoje você compra muito menos produtos e serviços que há 21 anos atrás.

Mas quais são as causas da inflação?

Gasto público

O governo tem algumas opções quando as contas não estão em dia, ou seja, quando, em função da má administração e planejamento dos recursos, gasta mais do que arrecada, porém, duas dessas opções podem gerar o aumento da inflação.

Primeira opção: O governo pode optar por aumentar ou criar impostos para cobrir o rombo em seu orçamento, repassando assim o custo para a população. Com isso, os preços dos serviços e produtos finais sobem, contribuindo para a inflação.

Segunda opção: O governo imprime mais dinheiro. Como o volume maior de dinheiro na economia é maior que a oferta de bens e serviços por parte das empresas, os preços tendem a subir. Para entender melhor, assista a seguir ao vídeo do desenho animado Duck Tales e a triste hiperinflação que ocorreu no Zimbabwe.

"Mais barato imprimir isso no dinheiro do que em papel" - A hiperinflação do Zimbabwe foi o resultado de impressão de dinheiro para financiar os gastos do governo. A inflação anual do país chegou a alcançar 231 mil por cento ao ano, salários e aposentadorias não valiam nada, escolas e hospitais fecharam e ao menos 80% da população ficou desempregada. (Fonte: BBC Brasil)

Falta de concorrência entre empresas

Ocorre quando poucas empresas vendem um determinado tipo de produto/serviço. Pode ocorrer nesse caso de elas combinarem preços mais altos, ou produzirem menos que o necessário para atender os consumidores. Nessas situações, os preços tendem a subir, gerando inflação.

Aumento dos custos de produção

Muitas vezes as empresas buscam empréstimos e financiamentos para poderem operar. Se as taxas de juros forem elevadas, o preço final dos produtos/serviços também fica mais alto.

Outro caso acontece quando o governo eleva os impostos dos produtos e matérias primas. Nessa situação, o preço pode ser repassado ao consumidor. 

Nesse caso, vale entender que, se sobem, os custos das empresas são repassados ao consumidor.

Produção baixa

Nesse caso as empresas produzem menos do que o necessário para atender à demanda do mercado. Como a quantidade de dinheiro circulando na economia é maior que os bens e serviços à venda pelas empresas, os consumidores ficam dispostos a pagar preços mais elevados por produtos/serviços.

Indexação

O preço do aluguel e outros serviços tendem a ser reajustados anualmente com base na inflação passada, como por exemplo os alugueis, que normalmente são corrigidos pelo IGPM. Uma vez reajustados os preços, entram no cálculo de reajuste do próximo período. Ou seja, a inflação de hoje gera inflação amanhã. 

Inércia

Ocorre quando as empresas e trabalhadores acredita que haverá inflação. A empresa reajusta seus preços contando com o aumento de seus custos e da inflação que virá no período. Como o trabalhador não quer perder o poder de compra, reivindica aumentos salariais.


Quais são os principais índices de inflação?

Para controlar melhor as alterações de preços, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e outras instituições realizam pesquisas periódicas para levantar a inflação do país. Os dados dessa pesquisa são utilizados para gerar índices que mostram a variação dos preços em diferentes categorias e setores. Os principais deles são:

IPCA - Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo

Calculado mensalmente pelo IBGE, mostra a variação do custo de vida médio das famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos nas regiões metropolitanas do país. A pesquisa é realizada em estabelecimentos comerciais, domicílios e com os prestadores de serviços e concessionárias de serviços públicos.

O IPCA é o índice de inflação oficial do país.

IGP-M - Índice Geral de Preços - Mercado

O IGP-M é calculado mensalmente pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e é divulgado no final de cada mês de referência. Registra a inflação geral de preços, desde os de matérias-primas agrícolas e industriais até osde bens e serviços finais.

O IGP-M geralmente é o índice utilizado na correção dos contratos de aluguel.

INPC - Índice Nacional de Preços ao Consumidor

Semelhante ao IPCA, ele verifica a variação do custo médio das famílias. Uma das principais diferenças está na faixa de rendimento familiar médio analisada, que é a de 1 e 5 salários mínimos. É um importante índice, pois mede a variações de preços nos grupos de famílias mais sensíveis.

O INPC geralmente é o índice utilizado na correção dos salário dos empregados.

Acompanhe a variação dos índices acima na seção indicadores do site.


Mas como proteger meu dinheiro da inflação?

Guardar dinheiro em casa é uma má ideia em tempos de inflação alta.

Guardar dinheiro em casa é uma má ideia em tempos de inflação alta.

Quem possui dinheiro guardado em cofres e outros locais corre um sério risco de perder poder de compra. Até mesmo a poupança - tradicional investimento do brasileiro - não tem superado a inflação do país.

Portanto, quem tem dinheiro para investir, deve buscar investimentos que rendam mais que a inflação. Para curto prazo, existem opções no mercado, como títulos públicos, CDB, LCA, LCI, entre outros. Para o longo prazo, imóveis e ações costumam ser boas opções.

Como você viu acima, a inflação pode influenciar profundamente seu cotidiano e a economia. Porém, não se assuste tanto com a inflação.

Segundo os economistas, uma inflação entre 1% e 3% ao ano pode ser saudável numa economia, e é melhor ter uma inflação sob controle do que a deflação (quando há queda generalizada de preços).

Saber os impactos da inflação em sua vida pode ajudá-lo a planejar melhor seu consumo e seus investimentos.