POR QUE A MAIORIA DAS PESSOAS NÃO ENRIQUECE?

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Semana passada, encontrei com um amigo de longa data. Para minha surpresa, ele disse estar preocupado com seu emprego, em função da piora do mercado e da economia. Estranhei ele ter, há bastante tempo, um ótimo cargo e salário, mas estar apreensivo com sua situação financeira. Ele, então, me explicou que, apesar de gozar de um elevado padrão de vida, tinha gasto suas economias com um carro novo. Somando-se o fato de ele também possuir um apartamento financiado, seu medo era que sua situação financeira se complicasse no caso de uma possível demissão.

Essa é uma história cada vez mais comum nos dias de hoje, não é mesmo? Fato é que quase todos nós conhecemos alguém que, de alguma forma, aparenta possuir uma grande riqueza, mas nem sempre a tem.

Para a maioria das pessoas, ser rico está associado aos bens que uma pessoa adquire, ao cargo que ela ocupa numa empresa ou ao padrão de vida que ela tem. Essa é a lógica de grande parte da população: trabalhar arduamente, comprar bens e aumentar seu padrão de vida. Então por que será que, mesmo com tudo isso, tantas pessoas não conseguem progredir financeiramente? Por que é tão difícil enriquecer? Afinal, o que é ser rico(a)?

Infelizmente, a falta de educação financeira e a inabilidade para lidar com dinheiro têm levado algumas pessoas a situações nada sustentáveis a longo prazo. Quem acredita que “não se deve julgar um livro pela capa” está coberto de razão, pois não basta receber um bom salário - ou muito menos possuir uma infinidade de bens - para que se possa progredir financeiramente ou ser considerado rico(a). Precisamos analisar de outra forma.

É preciso abandonar a ideia de que riqueza está associada a bens, cargos, salários e itens de consumo. Uma pessoa que deseja progredir financeiramente precisa, antes de tudo, de instrução financeira.

Para progredirmos financeiramente, precisamos colocar o dinheiro para trabalhar para nós. A melhor forma de fazer isso é adquirindo ativos. Um ativo é tudo aquilo que, quando adquirido ou criado, passará a render ganhos, ou seja, uma fonte de renda. Exemplos: compra de um apartamento para locação, investimentos bancários, negócio próprio, propriedades intelectuais, etc.

Infelizmente, não é essa a lógica da maioria das pessoas. Para acompanhar um padrão de vida exigido pela sociedade, muitos entram em um círculo vicioso de consumo e acabam por piorar suas finanças, adquirindo muitos passivos ao invés de ativos. Um passivo é tudo aquilo que pode ser adquirido ou criado e que lhe gerará despesas periódicas. Quem passa a vida acumulando bens e aumentando seu padrão de vida pode perder importantes oportunidades de progredir financeiramente, afinal de contas, cada passivo adquirido compromete, necessariamente, parte de sua renda.

Comprar ativos ao invés de passivos significa tranquilidade financeira. Parece simples, porém, a grande maioria das pessoas não sabe a diferença entre os dois e por isso passam a vida inteira adquirindo passivos. Quando se dão conta disso, estão em uma situação complicada financeiramente, pois a cada aquisição suas despesas aumentam, o que leva a pessoa a não acumular ativos suficientes para sua independência financeira ou aposentadoria.

Instruir-se financeiramente o ajudará a identificar ativos, adquiri-los e saber como colocá-los para trabalhar para você. Para acabar de vez com a dúvida entre esses dois conceitos, vamos a alguns exemplos práticos.

Um investimento em caderneta de poupança é um ativo, pois esse trabalha a seu favor, rendendo juros mensais para você. No entanto, adquirir um carro é um passivo, pois gerará despesas mensais em seu orçamento com gasolina, financiamento, juros e impostos, o que trabalhará contra você, comprometerá parte de sua renda.

Um dos casos mais polêmicos: imóveis! São ativos ou passivos? Depende! Ao comprar um imóvel para alugar, você está adquirindo um importante ativo, pois esse gerará renda extra para você, através de aluguel. Por outro lado, se você comprar um apartamento para residir, esse será um passivo, pois lhe trará despesas com impostos, juros (se financiados), obras do condomínio e reformas para deixá-lo do seu agrado.

Não são raros os casos de pessoas que, em função da baixa instrução financeira, passam a vida adquirindo passivos como carros importados, celulares de última geração, acessórios de grifes, apartamentos cada vez mais caros, etc. O mais grave é que esse comportamento muitas vezes vem combinado com linhas de financiamento e crédito fácil, o que piora ainda mais a situação, já que os altos juros trabalham contra você. Em alguns casos paga-se duas, três, cinco vezes o valor de um bem. Veja que instrução financeira nada tem a ver com classe socioeconômica, pois afeta todas as pessoas que não a possuem. Vale o dito popular: “se você não administra bem pouco dinheiro, também não saberá administrar grandes quantias”.

Com a renda comprometida com passivos, os não-instruídos financeiramente passam a trabalhar mais, pois precisam de mais renda para manter o padrão de vida e acabam passando por grandes dificuldades quando há algum imprevisto financeiro, tamanha a fragilidade de suas finanças – situação nada sustentável a longo prazo.

Adquirir ativos lhe permite pagar-se primeiro e, assim, proteger sua saúde financeira. Faça o possível para preservá-los, pois esses são seus aliados nos momentos de dificuldade e trabalharão por você no futuro. Ter ativos possibilita aproveitar várias oportunidades que surgem ao longo da vida. Eles são o verdadeiro diferencial para quem pretende progredir financeiramente e em muitos casos significarão sua independência financeira ou aposentadoria.

Tenha sempre em mente: um ativo trabalha a seu favor, proporcionando-lhe maiores rendimentos, enquanto que um passivo trabalha contra você, pois lhe causa despesas. Evite adquirir passivos, que trabalham para bancos, governo e terceiros e sacrificam suas finanças.

Não se esqueça de que enriquecer realmente é tarefa difícil. Para progredir financeiramente é necessário ir contra a lógica da maioria das pessoas. Pague-se primeiro, deixe seus ativos trabalharem por você e posteriormente adquira bens de consumo. A grande riqueza, portanto, é o saber, a instrução, a educação, é fugir da lógica do senso comum, é saber olhar à frente, ter persistência e paciência para percorrer o caminho.

Quais ativos você pretende adquirir? De quais passivos quer se livrar?